O que é media training

0
20
Falar, ser ouvido, ser entendido e interpretado.

A indústria de comunicação social, leia-se jornais, revistas, rádios e TV, nunca esteve em uma situação tão crítica em relação ao seu modelo de negócios. Mas o jornalismo profissional, incluindo os sites noticiosos, continua tendo força para derrubar presidentes, empresas e destruir reputações. É fácil de entender – conteúdo de qualidade tem valor. São nestes momentos que aparecem os grandes porta-vozes, pessoas experientes que falam em nomes de entidades e empresas e que conseguem transmitir mensagens claras mesmo em momentos difíceis. Mais do que experientes e talentosos: são profissionais treinados, fizeram media training.

O que é media training? É um treinamento intensivo que é ministrado por jornalistas e profissionais de comunicação aos porta-vozes. Estes profissionais conhecem e estudam as técnicas e recursos, bem como são especialistas em formulação de conceitos e posições. As sessões de media training são formadas por uma parte teórica e uma prática. Esta última rende melhor quando é ministrada em conjunto com jornalistas e câmeras com experiência em TV, onde são feitas uma série de perguntas de modo a avaliar a postura, comportamento e retórica dos candidatos a porta-voz. Em seguida, o grupo avalia o desempenho destes três itens e repete o treinamento.

Existem pessoas que nasceram para isso, têm o dom. Outras podem adquirir as técnicas, que são acessíveis a todos. Mesmo os porta-vozes natos precisam treinar e sempre. São como jogadores: grandes craques também precisam treinar para que obtenham o máximo durante o jogo, que é o espetáculo. Não existe jogo sem treino. Por mais que sejam talentosos, podem não conseguir se expressar de maneira adequada em certas situações e não conseguir expor o seu ponto de vista.

A parte teórica de um media training enfatiza o mais importante: o planejamento. Começa com a importância do briefing, que é o resumo do pedido de entrevista de um jornalista. Um bom briefing descreve o tema ou assunto da matéria, a intenção do jornalista de ouvir um ou vários porta-vozes, se a matéria será informativa ou opinativa e qual é o perfil do veículo, editoria e jornalista, bem como quem é o público do veículo.

Neste momento de apresentação do briefing um porta-voz experiente poderá, em função do apresentado por seu assessor, entender se deve ou não conceder a entrevista, responder por escrito ou se deve repassar a demanda para um outro porta-voz que conheça melhor o tema em foco.

Ainda no planejamento o porta-voz entenderá porque uma conversa prévia com seu assessor (warm-up) é tão importante, bem como definir o tipo de roupa adequada e o ambiente onde a entrevista será realizada.

Há várias outras dicas. Uma delas é a mais básica: ser você mesmo, porque nenhuma técnica é mais importante do que a autenticidade, a naturalidade. Para isso o treinamento é fundamental: ajuda a retirar as travas emocionais e psicológicas que fazem com que a boca seque, o coração acelere e a apresentação dos argumentos se embaralhem de maneira confusa e desconexa.

Todo o brasileiro, independentemente de sua atividade, deveria ter aulas de media training nas faculdades. Falar em público, ou falar especificamente para um jornalista, é um exercício para toda a vida.

 

Por Ricardo Braga, Art Presse (empresa de relações públicas e assessoria de imprensa)