Ícone do site Art Presse

O novo gênio do marketing político

O novo gênio do marketing político

Em quase todas as eleições, pelo menos as mais emblemáticas, a imprensa elege um novo gênio do marketing político.

O gênio da vez é Morris Katz, 26 anos. Ele recebeu um perfil de Joseph Bernstein no The New York Times (NYT) pelo fato de “ajudar a orquestrar a maior reviravolta política da década” nos EUA, a campanha vitoriosa do democrata Zohran Mandani à prefeitura de Nova York.

Em um ano de eleições no Brasil, o tema é relevante: quais são os atributos de um gênio do marketing político?

A partir da leitura da matéria do NYT, listo cinco pontos que considero fundamentais no marketing político, a começar pelo Zeitgeist, ponto de inflexão para os profissionais de comunicação (os gênios do marketing político são estrategistas de comunicação).

Zeitgeist significa “espírito do tempo”. A matéria do New York Times mostra que Morris Katz é o “cara da vez” e que cruzou uma série de dados sobre a atual situação do partido Democrata, do partido Republicano, da percepção dos eleitores e do presidente Donald Trump para ter sensibilidade sobre o momento.

Marketing político é pop

Morris Katz entende que política é cultura pop e que um estrategista tem “acesso privilegiado ao maior espetáculo” (de entretenimento).

Neste sentido, o gênio do marketing político é um criador de imagens – e uma imagem vale mais do que 1.000 palavras.

A matéria do New York Times informa que ele estendeu seu trabalho de marketing político a vários outros candidatos democratas. Katz “ajudou a selecionar, moldar e produzir anúncios para uma leva de candidatos democratas de aparência rude e voz rouca em todo o país”.

Katz é um faz-tudo e um multi-estrategista, que faz às vezes de diretor de elenco para um futuro Partido Democrata cujos membros vestem roupas da Carhartt (marca tradicional de roupas para trabalhadores) e não têm medo de dizer palavrões (palavras do NYT).

O estrategista se preocupa com detalhes. Veja a descrição do NYT das filmagens do candidato democrata ao senado por Iowa, Nathan Sage, ex-mecânico das Forças Armadas: “o Sr. Katz parecia menos um assessor político habilidoso do que um assistente de produção de um filme … balançando o pé na ponta de uma perna cruzada, ele lia as falas de um roteiro que havia preparado, impresso em seu iPhone. Os habitantes de Iowa estão cansados ​​de políticos com cabelo penteado para trás, camisas elegantes e sem fibra moral”, (disse o Sr. Katz).

Multicanal – outro ponto relevante em qualquer estratégia de marketing político. Ainda em relação ao NYT, “a constante atuação do Sr. Katz na disseminação da mensagem do Sr. Mamdani em uma gama impressionante de mídias — da TV por assinatura ao TikTok — sugere um estrategista completamente moderno, igualmente à vontade criando um comercial de 30 segundos e idealizando estratégias para mídias sociais. Dito isso, a estratégia frequentemente repetida por Katz para Zohran Mamdani era “deixar Zohran brilhar: sair do caminho e deixá-lo fazer o que sabe fazer contra seu oponente impopular e em desgraça, Andrew Cuomo”

Pathos: conexão emocional

Dar o tom certo nas narrativas. Ou seja, entender e traduzir os significados dos seus candidatos para que seja dado o tom certo. O gênio do marketing político é diretor de elenco. Veja o diálogo de Morris Katz com Sage.

Em uma sessão de produção de vídeos, Katz se esforça para convencê-lo a ser mais natural frente às câmeras. Em dado momento, Sage diz em tom choroso que Iowa tem “uma das maiores taxas de câncer do país”, sobre um projeto de lei estadual que protegeria as empresas de pesticidas de processos por danos pessoais. Katz interrompe a gravação e pede para ele mudar o tom: “diga isso como se fosse uma acusação, não um fato”.

Pathos: é a capacidade de gerar identificação com o público. O gênio do marketing político sabe que um candidato tem de ultrapassar a questão racional e se conectar emocionalmente com a sua audiência. Este é um ponto onde todas as características acima – zeitgeist, imagem, multicanalidade e tom da narrativa –se encontram e se multiplicam.

Em resumo, o Brasil terá este ano eleições importantes que vão definir os rumos da nação para os próximos anos e quando os estrategistas de marketing político se ocuparão de “envelopar” os seus candidatos.

Quem quer que seja o novo gênio do marketing político destas eleições terá de ter a habilidade de entender o espírito do tempo, a capacidade de dirigir candidatos que consigam traduzir mensagens em imagens fáceis de serem assimiladas e distribuídas no maior número de canais possíveis.

A matéria do NYT está neste link.

Sair da versão mobile