Com a chegada do IA, o clipping – conjunto de matérias publicadas na imprensa sobre um assunto, empresa ou pessoa, em determinado período – ganhou um novo protagonismo e passou a ser um ativo estratégico na gestão e análise de reputação e inteligência de mercado.
Importante lembrar que antes da IA, profissionais de comunicação já realizavam o trabalho de análise estratégica do clipping. A inteligência e o olhar crítico de um consultor sênior sempre entregaram o que a diretoria das empresas precisava: contexto e interpretação. Mas agora a ferramenta trouxe escala e capacidade de processamento.
A própria Art Presse implementou, na década de 90, um serviço de “clipping diário comentado”. Este serviço era uma mão da roda para os executivos de grandes empresas que não tinham tempo de olhar uma a uma cada uma das menções à sua empresa, ao mercado ou à concorrência. Um ou dois parágrafos, resumiam a “percepção” geral do noticiário e apontava para tendências positivas, negativas ou neutras.
Clipping com IA
A verdade é que os clippings sempre foram fontes de informação da empresa. Os dados extraídos do clipping são utilizados não só como a imprensa, que exerce influência na sociedade, enxerga a empresa (e, consequentemente, constrói ou ataca a sua reputação como também entende como a imprensa enxerga o mercado e seus concorrentes.
Com a Inteligência Artificial, o processo deixou de ser meramente reativo para se tornar preditivo e analítico em tempo real. Além da velocidade e análise de sentimento, a IA introduz elementos que transformam a gestão de comunicação:
Um bom painel de análise diária do clipping, identifica tendências e padrões sociais, já que a IA consegue cruzar dados de diferentes fontes para prever crises antes que elas escalem ou identificar novas oportunidades de mercado.
Há também a análise de sentimento granular que vai além do “positivo/negativo”: identifica nuances como ironia, sarcasmo e emoções específicas (raiva, expectativa, confiança).
O importante é avançar. Hoje as plataformas de coleta de IA monitoram não apenas a imprensa “tradicional”, mas também influenciadores digitais, fóruns e redes sociais, unificando a visão de reputação em uma única plataforma.
Mais do que isso. Uma boa análise deve geral insights ao invés apenas de apresentar os dados. A combinação do trabalho de especialistas em comunicação com sistemas de IA sugerem ações e destacam os pontos mais críticos que exigem intervenção humana imediata.
Em tempos de fake News, os algoritmos de IA podem ajudam a identificar padrões de propagação de fake news ou ataques coordenados contra a marca.
Principais Plataformas Atuais
Atualmente, diversas ferramentas utilizam IA para realizar clipping, monitoramento e análise de dados. Aqui está a lista:
Knewin: utiliza IA para monitorar veículos impressos, rádio, TV e portais, oferecendo dashboards de BI (Business Intelligence).
Meltwater: plataforma global que oferece análise profunda de mídias sociais e notícias, focada em inteligência competitiva e impacto de marca.
Comunique-se/Dino: focada em distribuição e monitoramento, integrando ferramentas de análise de performance de notícias.
Cision: ferramenta internacional para gestão de relações com a mídia e análise de ROI de comunicação.
Brandwatch: especializada em “Consumer Intelligence”, analisa conversas digitais para entender a percepção do público em larga escala.
Top Clip: uma das empresas mais tradicionais do mercado brasileiro. Passou a utilizar seus processos com IA para monitoramento multicanal em tempo real.
Por último, vale lembrar: somente profissionais de comunicação dentro das empresas ou nas agências de assessoria de imprensa conseguem entender e dar sentido aos dados, porque entendem de contexto e do negócio.



