Existe um limite ético para o uso de IA na produção de um texto, além da questão do copyright? Recentemente tratamos aqui do exemplo do Substack que fez uma parceria com a Pangram, empresa que detecta texto geados por IA. Esta é uma questão que chegará brevemente às empresas e agências de comunicação.
Aqui na Art Presse, utilizamos diferentes plataformas de IA e por diversos motivos: 1) traz informações e dados rapidamente, 2) automatiza o trabalho, 3) realiza revisões e ajustes, 4) uniformiza os textos, 5) aponta incongruências, 6) fornece imagens que já passaram pelo crivo dos direitos autorais.
Há uma visão de nossos especialistas em comunicação que as plataformas de IA vieram para ficar e não importa se o texto foi desenvolvido parcial ou totalmente pela IA, ou seja, a questão da autoralidade ou originalidade.
Ou seja, o que vale é quem assina o texto, quem valida uma visão ou tese a partir de uma orientação correta (prompt). Em outras palavras: a responsabilidade é de quem colocou o seu nome.
IA: ética das ideias
O fato é que o uso desta ferramenta trouxe uma pequena revolução para o mercado de comunicação como um todo, mas principalmente para pessoas não habituadas a colocar as suas ideias no papel ou na tela. O problema é em relação à ética, ou seja, à fidedignidade das ideias apresentadas. Será que, de repente, todos viraram grandes escritores e pensadores?
Escrever bem é pensar bem. Textos informativos, descritivos ou opinativos são ideias organizadas quando colocadas no papel ou na tela. Grandes escritores são pensadores. Evoluem as suas colocações por meio da oratória, a partir de hierarquização e métodos que avaliam tamanho, volume, massa, velocidade e outras variáveis.
Embora o aumento exponencial de textos assinados por autores ou blogs de empresas seja meritório, cresce também a suspeita do que é realmente autoral e o que é simplesmente um “copia e cola” de uma plataforma de IA.
Pode-se argumentar que o mais importante hoje talvez nem seja mais a redação em si, bem como o conteúdo, mas o comando (prompt) ou o conjunto de prompts do autor da iniciativa.
Quanto mais honesto for o autor (ou autores) do texto – admitindo que o conteúdo recebeu x% de contribuição de uma plataforma de IA – maior será a sua credibilidade.
E aí, quem sabe, a gente retorne a um princípio muito antigo e humano:o alinhamento entre sentimento, pensamento, fala e ação. Uma espécie de reencontro com os filósofos gregos.
Ah, e esse texto não utilizou IA (mas a utilizou para a geração da imagem esquisita que abre esta matéria, um homem com três braços). Mas não haveria problema algum se tivesse utilizado.



