8 erros de quem não fez direito o media training

8 erros media training

Deixar a emoção dominar

Em meus 40 anos como assessor de imprensa já vi quase tudo. Inclusive episódios de executivos que perdem o controle emocional durante uma entrevista. Sempre digo aos meus clientes nas sessões de media training que conceder uma entrevista não é uma luta de boxe, é um jogo de poker. Trata-se, principalmente, do uso da inteligência e da razão para transmitir as mensagens. Ao transferir o centro das decisões da razão para a emoção, é possível que boa parte das mensagens se desvirtuem e a entrevista derive para um depoimento confessional, distante dos objetivos inicialmente planejados.

Discutir com o repórter

É comum haver uma interação mais próxima entre o executivo de uma grande empresa com repórteres setoristas. Já vi executivos brigarem com repórteres por estarem insatisfeitos com matérias anteriormente publicadas e que, na visão dos porta-vozes, traziam abordagens equivocadas e até mesmo negativas e preconceituosas.

Mesmo que o executivo esteja certo em sua avaliação, recomenda-se evitar questionamentos com o repórter. O executivo deve lembrar que representa uma corporação e que deve seguir regras para não prejudicar a própria empresa ou o setor em que atua.

Tentar mudar a opinião do jornalista

O objetivo de uma entrevista não é converter o repórter à visão do entrevistado. O papel do porta-voz é apresentar seus argumentos e explicar porque determinada posição faz sentido para sua empresa, seu setor ou a sociedade.

Imagine, por exemplo, um executivo que tenta convencer um jornalista de que a escala 6×1 é melhor que a escala 5×2. Não faria o menor sentido. Primeiro, porque mudar a opinião de alguém costuma ser extremamente difícil. Segundo porque a única coisa com que o executivo deve se preocupar no momento de uma entrevista é transmitir a sua mensagem de maneira objetiva e clara.

Não avaliar a forma como será fotografado ou filmado

Há casos famosos de fotografias ou vídeos realizados fora do contexto. Um caso clássico é o do deputado federal Edmundo Barreto Pinto (PTB/DF) que teve seu mandato cassado em 1949, ao se deixar fotografar de paletó, casaca, gravata borboleta e … cueca, tornando-se o primeiro parlamentar brasileiro a perder o cargo por quebra de decoro parlamentar. O (ex) deputado alegou que o fotógrafo, da revista Cruzeiro, garantiu que a foto seria cortada da cintura para baixo e que ele não deveria se preocupar em vestir as calças (após abrir a porta para a reportagem, quando ainda estava tomando café e se vestindo).

Não pensar nas mensagens principais

Deve-se ter um objetivo claro ao se conceder uma entrevista. Em uma sessão de perguntas e respostas, ao deixar que o repórter conduza a entrevista sem definir previamente quais mensagens deseja transmitir, o executivo desperdiça a oportunidade de dar visibilidade aos temas de seu interesse. E pode acabar conduzido por temas secundários ou irrelevantes.

Não se preparar antes da entrevista

Reserve sempre pelo menos 15 minutos (o ideal é uma hora) para um “aquecimento” antes de conceder uma entrevista. Nessa sessão de warm-up, o assessor ajuda o porta-voz a exercitar o seu pensamento e fala, antecipar perguntas difíceis, aprimorar respostas e ganhar segurança, de modo a aproveitar ao máximo a oportunidade de exposição na mídia.

Tentar ficar amigo do repórter

Nesses anos, presenciei algumas vezes a tentativa, por parte de porta-vozes, de conquistar a simpatia de repórteres para convencê-los sobre uma determinada causa, empresa ou produto. Por mais simpático e carismático que seja o porta-voz – e os repórteres podem até admirá-lo – no momento da entrevista o dever de obter informações relevantes para seu público – inclusive aquelas que podem prejudicar o entrevistado – é maior do que a vontade de fazer novos amigos (embora grandes repórteres saibam a importância de manter bons relacionamentos com suas fontes).

Pedir para ler a matéria antes da publicação

Depois de conceder uma entrevista, o executivo vira-se para a repórter e pergunta:

– Você me manda o texto para eu ler antes de publicá-lo?

Ouvi essa pergunta pelo menos uma meia dúzia de vezes, vindas de CEOs ou diretores C-level. A resposta é sempre negativa, principalmente de jornalistas da grande imprensa.

Ainda que alguns executivos façam esse pedido em função de um histórico de erros em sua interação com a imprensa, essa prática costuma transmitir insegurança e falta de preparo.

Um porta-voz bem treinado e seguro de suas mensagens, e que passou por um media training, não precisa depender da leitura prévia da matéria para confiar no resultado.

Este site usa cookies para lhe oferecer uma melhor experiência de navegação. Ao navegar neste site, você concorda com o uso de cookies.
Mais Info